A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a usar uma música de Bad Bunny em uma peça eleitoral lançada nesta quarta-feira (23/9). A equipe do cantor autorizou o uso de "Lo Que Le Pasó a Hawaii", faixa que ganhou uma versão em português especialmente adaptada para o material.
Na nova versão, a história de Porto Rico presente na música original é transportada para o contexto brasileiro. O vídeo faz referências a rios, praias, terras raras, território nacional e à identidade do país. A adaptação também menciona apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) que utilizam bandeiras dos Estados Unidos em manifestações e traz imagens do presidente norte-americano Donald Trump.
A escolha da faixa dialoga com o discurso de soberania nacional adotado por Lula durante a campanha. O vídeo termina com uma declaração do presidente: "O Brasil tem um único dono: o povo brasileiro".
Da história de Porto Rico ao Brasil
"Lo Que Le Pasó a Hawaii" foi lançada por Bad Bunny no álbum Debí TiRAR MáS FOToS e aborda a relação de Porto Rico com os Estados Unidos, usando o Havaí como referência para falar sobre a transformação do território e o temor de que Porto Rico também perca características de sua identidade e espaço para a própria população.
Na letra original, Bad Bunny canta sobre a possibilidade de perder elementos do território e da identidade porto-riquenha. A música faz referência ao Havaí como exemplo do que poderia acontecer com Porto Rico.
Na adaptação utilizada pela campanha, essa ideia é deslocada para o cenário brasileiro. Um dos trechos diz: "Querem tomar o rio e também a praia. Querem as terras raras, querem que a gente saia. Não, não largue a bandeira. Não esqueça o que eu vivi. Não quero que façam contigo o que eles fazem por aí".
Referência à identidade brasileira
A peça começa com uma narração sobre a origem do sobrenome Silva e a formação da identidade brasileira. Depois, a música adaptada entra como trilha principal, associando a mensagem da canção a elementos do território e da identidade nacional.
A publicação ocorre na mesma semana em que Lula tratou de soberania brasileira durante seu discurso na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em 22 de setembro. Na ocasião, o presidente criticou interferências estrangeiras e defendeu a autonomia do Brasil.
Metrópoles