Um estudo realizado na Coreia do Sul encontrou uma associação entre o uso de medicamentos prescritos para perda ou controle de peso e uma maior frequência de problemas relacionados à saúde mental. A pesquisa, publicada no Korean Journal of Family Practice, analisou dados de 27.741 adultos coletados entre 2013 e 2022.
Do total de participantes, 846 pessoas relataram ter utilizado medicamentos prescritos para emagrecer ou manter o peso. Os pesquisadores avaliaram diferentes indicadores de saúde mental, incluindo sintomas de depressão e busca por atendimento psicológico.
Entre os usuários dos medicamentos, 22,1% apresentaram sintomas depressivos, enquanto o índice foi de 11,4% entre aqueles que não utilizavam os remédios. Também foi observada uma diferença na frequência de pensamentos suicidas entre os dois grupos.
Depois de considerar fatores como idade, sexo, renda, escolaridade e estado civil, o uso dos medicamentos continuou associado a uma maior probabilidade de sintomas depressivos e pensamentos suicidas.
Reganho de peso também chamou atenção
A pesquisa analisou ainda participantes que recuperaram parte do peso após o tratamento. Os pesquisadores observaram que o aumento de peso esteve relacionado a uma maior procura por aconselhamento em saúde mental e a outros indicadores avaliados no estudo.
Entre os participantes que recuperaram 10 kg ou mais, a associação com pensamentos suicidas foi maior do que entre aqueles que tiveram um ganho de peso menor.
Os autores apontam que fatores emocionais e sociais relacionados ao resultado do tratamento podem estar envolvidos nos resultados. No entanto, são necessárias novas pesquisas para entender melhor essa relação.
Pesquisa não prova que medicamentos causam depressão
Os pesquisadores ressaltam que o estudo possui limitações importantes. Por ser uma pesquisa observacional e transversal, ela identifica relações entre os fatores analisados, mas não consegue determinar que os medicamentos tenham causado depressão ou outros problemas de saúde mental.
Além disso, o trabalho não avaliou especificamente medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, que atualmente são bastante utilizados no tratamento da obesidade.
Os autores defendem que estudos futuros acompanhem os pacientes por períodos mais longos e tenham informações detalhadas sobre os medicamentos utilizados. Até lá, os resultados reforçam a importância de considerar também a saúde mental durante tratamentos para perda de peso.
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