O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (14) que Rússia e Ucrânia chegaram a um entendimento para não realizar novos ataques contra instalações de energia dos dois países. A declaração ocorre em meio à continuidade da guerra entre Moscou e Kiev, que já dura mais de quatro anos.
Segundo Trump, a Ucrânia teria concordado em não atacar estruturas energéticas russas, enquanto a Rússia adotaria a mesma posição em relação às instalações ucranianas.
"A Ucrânia concordou em não atingir as metas energéticas russas. A Rússia concordou em fazer o mesmo", afirmou o presidente norte-americano.
Trump também relacionou a guerra entre Rússia e Ucrânia ao aumento do preço do diesel no mercado internacional. De acordo com ele, a alta ocorre principalmente por causa do conflito no Leste Europeu, e não em razão do confronto envolvendo os Estados Unidos e o Irã.
Trump diz ter pedido suspensão de ataques
A declaração do presidente norte-americano aconteceu um dia depois de ele afirmar a jornalistas que havia pedido ao presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que interrompesse os ataques contra usinas e outras estruturas de energia russas.
Na semana anterior, Trump também havia conversado por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin. Segundo o norte-americano, o líder russo demonstrou interesse em chegar a um acordo para encerrar a guerra na Ucrânia.
Os ataques contra instalações de energia têm sido uma das características do conflito. Usinas, refinarias e outras estruturas ligadas ao setor energético são consideradas importantes tanto para o funcionamento da economia quanto para a capacidade de sustentação dos esforços de guerra.
Zelensky pede garantias
Após a declaração de Trump, Zelensky afirmou que a Ucrânia espera receber garantias de seus parceiros internacionais, principalmente dos Estados Unidos e da Otan, de que a Rússia também respeitará qualquer compromisso relacionado à suspensão dos ataques.
O presidente ucraniano demonstrou cautela sobre a possibilidade de Moscou cumprir o entendimento anunciado por Trump. Segundo Zelensky, Kiev ainda não está convencida de que o governo russo esteja disposto a respeitar um eventual acordo.
O líder ucraniano destacou que não apenas as instalações de energia precisam ser protegidas. Para ele, estruturas ligadas ao abastecimento e ao funcionamento básico do país também devem ficar fora dos ataques.
"Alimentos, energia e outros produtos básicos que sustentam a vida devem ser protegidos", afirmou Zelensky.
Ele também citou ataques contra instalações energéticas, infraestrutura portuária, estruturas de logística e armazéns que armazenam alimentos e medicamentos.
Para o presidente ucraniano, a redução dos ataques contra estruturas consideradas essenciais poderia representar um primeiro passo para diminuir as tensões entre os dois países.
"A guerra deve ser levada a um fim. E um passo de desescalada em relação à infraestrutura crítica poderia ser o primeiro passo em direção à paz. Esperamos especificidades de nossos parceiros", declarou.
Rússia ainda não confirmou o acordo
O governo russo não havia se manifestado diretamente sobre a declaração de Trump até a publicação das informações. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, porém, comentou anteriormente a conversa entre Trump e Zelensky.
Peskov afirmou que a Rússia vê de forma positiva qualquer pedido para que a Ucrânia interrompa ataques contra estruturas da economia civil.
"Só podemos saudar qualquer apelo ao regime de Kiev para que cesse os ataques à infraestrutura econômica civil", declarou o porta-voz.
Apesar das declarações de Trump, ainda há dúvidas sobre os termos exatos de um possível entendimento entre Rússia e Ucrânia e sobre como ele seria colocado em prática. Zelensky afirmou que aguarda detalhes concretos dos países aliados antes de considerar a medida como um avanço efetivo nas negociações de paz.
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