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Pais devem impedir que filhos empinem pipas em Gaza, diz alerta

Israel ameaça atacar pessoas que empinarem pipas e balões em áreas próximas à fronteira com território palestino


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REUTERS

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Os pais de crianças em Gaza foram alertados para que impeçam seus filhos de empinar pipas no enclave devastado pela guerra, depois que Israel ameaçou uma resposta contundente caso o grupo militante Hamas retome a tática de lançar artefatos incendiários presos a fios sobre a fronteira.

Os comitês populares, compostos por representantes de organizações não governamentais locais e instituições de caridade que administram campos de deslocados e abrigos em Gaza, emitiram o alerta em um comunicado na noite de segunda-feira (24).

O anúncio foi coordenado com as autoridades do Hamas, informou uma fonte do grupo.

"Estamos trabalhando incansavelmente no local e fazendo todo o possível para impedir essa prática, não para restringir a infância de nossos filhos, que já foram privados dos direitos mais básicos de brincar e viver em segurança, mas para proteger suas vidas inocentes", dizia o comunicado.

Em 2018, os habitantes de Gaza lançaram balões e pipas incendiárias além da fronteira, causando incêndios em centenas de acres de campos abertos e terras agrícolas, em um ato que, segundo eles, foi um protesto contra o bloqueio israelense ao enclave controlado pelo Hamas.

PIPAS ASSUSTAM ALDEIAS ISRAELENSES

No mês passado, várias pipas que, segundo relatos, não transportavam materiais incendiários foram avistadas flutuando de Gaza em direção a Israel, alarmando os israelenses que moram nas aldeias próximas.

No domingo, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu advertiu o Hamas de que, a menos que isso parasse imediatamente, "os responsáveis" pelo lançamento de pipas, balões ou drones em direção a Israel seriam alvos de assassinato e que as áreas de onde fossem lançados receberiam ordem de retirada.

Umm Mohammed, uma mãe da Cidade de Gaza que conversou com a Reuters por meio de um aplicativo de bate-papo, disse estar preocupada que seu filho pudesse se machucar.

"Todo verão, meu filho, Ahmed, de 10 anos, e as crianças da rua empinam essas pipas para se divertir, mas não vou mais permitir que ele faça isso", disse.

Uma autoridade de alto escalão da defesa israelense afirmou que o Hamas estava tentando provocar Israel ao incentivar os habitantes de Gaza a soltar pipas através da fronteira.

Um representante do Hamas disse à Reuters que o grupo reclamou aos mediadores do cessar-fogo que "Israel estava inventando pretextos falsos para continuar a guerra contra Gaza".

Israel reclamou com o Conselho de Paz do presidente dos EUA, Donald Trump -- que supervisiona a implementação do acordo de cessar-fogo de 2025 para Gaza -- sobre as pipas, segundo uma segunda autoridade israelense.

"Todas as atividades militantes em Gaza devem cessar, incluindo o lançamento de pipas. Transmitimos essa mensagem diretamente por meio do mecanismo estabelecido", disse um representante do Conselho de Paz à Reuters.

"Israel também deve cumprir o cessar-fogo; a ação militar não pode ir além da resposta a ameaças reais e iminentes", acrescentou.

Um cessar-fogo de outubro de 2025 interrompeu os principais confrontos, mas não pôs fim aos ataques israelenses.

Nesta terça-feira, um ataque aéreo israelense matou um palestino na área de Mawasi, em Khan Younis, ao sul do enclave. As Forças Armadas de Israel afirmaram ter tido como alvo um militante, sem fornecer mais detalhes.

Mais de 1.280 palestinos foram mortos em Gaza desde que o cessar-fogo entrou em vigor em outubro passado, segundo autoridades de saúde de Gaza. As forças armadas israelenses afirmam que quatro soldados israelenses foram mortos.


cnnbrasil


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