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SGC TV: Carne de jacaré do Lago do Cuniã avança para obter selo de Indicação Geográfico

Manejo sustentável do jacaré-açu na Resex Lago do Cuniã pode render certificação de origem e qualidade, abrindo novos mercados


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Foto: Reprodução

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A carne de jacaré produzida na Reserva Extrativista (Resex) Lago do Cuniã, em Porto Velho (RO), está em processo de certificação para obter o selo de Indicação Geográfica (IG) junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A iniciativa reúne Sebrae Rondônia, Prefeitura de Porto Velho, ICMBio, Ibama, CoopCuniã e Asmucum, com o objetivo de reconhecer a origem e as características próprias do produto, valorizando a produção sustentável amazônica .

O projeto entrou em uma fase técnica decisiva entre os dias 1º e 6 de setembro, quando uma equipe esteve na comunidade para coletar documentos, histórias e informações que comprovem a qualidade e a identidade do produto . O trabalho consiste em documentar a trajetória da comunidade, da cooperativa e o início do manejo do jacaré na reserva, o que é essencial para diferenciar o produto e agregar valor .

"Precisamos documentar essa história para fortalecer o processo de certificação", explica a analista técnica do Sebrae Rondônia, Evelyn Peixoto. Segundo ela, as informações levantadas serão usadas para mostrar a rastreabilidade, o manejo sustentável e todo o cuidado com a cadeia produtiva .

Um diagnóstico realizado em 2024 já havia identificado o potencial da carne de jacaré do Cuniã para uma IG. Conforme destaca o consultor do Sebrae, Agnaldo José de Lima, a produção reúne características diferenciadas: "É um produto raro, de produção limitada e com uma história muito rica" . A estimativa é que todo o processo necessário para o reconhecimento leve entre um ano e meio e dois anos .

A Indicação Geográfica é uma certificação que identifica produtos ou serviços originários de uma região específica, associando sua qualidade, características ou reputação à sua origem geográfica . No Brasil, existem dois tipos: a Indicação de Procedência (IP), quando o local se torna conhecido pela produção daquele item, e a Denominação de Origem (DO), que exige comprovação de que as características do produto são determinadas pelo território — como solo, clima e saber-fazer local . O selo do INPI, que já reconhece produtos como cafés especiais, queijos artesanais e vinhos, é uma ferramenta estratégica de mercado que agrega valor comercial e protege o produto contra o uso indevido do nome geográfico .

A produção de carne de jacaré na Resex Lago do Cuniã é realizada a partir do manejo sustentável do jacaré-açu (*Melanosuchus niger*), controlado por ICMBio e Ibama. O sistema garante a preservação do equilíbrio ecológico, o controle sanitário, a rastreabilidade do produto e o aproveitamento do couro . Diferente da caça predatória, o manejo segue cotas de abate estabelecidas para garantir o equilíbrio populacional da espécie. O abatedouro local, licenciado ambientalmente desde 2026, é o primeiro frigorífico de beneficiamento de jacarés da Amazônia e o único do Brasil localizado no interior de uma unidade de conservação .

Atualmente, o manejo beneficia mais de 90 famílias extrativistas da região, que tradicionalmente vivem da pesca, do cultivo de mandioca e do extrativismo de açaí e castanha . Além da carne, o couro do jacaré também é comercializado, gerando renda complementar para as comunidades. A previsão para este ano é realizar o manejo de cerca de 900 animais, o que deve representar aproximadamente seis toneladas de carne .

Morador da reserva, Adegilton Alves Lopes destaca a expectativa da comunidade: "Para nós é muito importante. Temos esperança de abater jacaré este ano e o IG vai dar mais valor e reconhecimento ao produto" . Durante a Agrotec 2026, o público teve a oportunidade de degustar a carne, que despertou curiosidade. Segundo o coordenador do evento, Erlan Lopes, "a textura lembra o frango, mas o jacaré possui um sabor próprio e único" .

Para o diretor do Departamento de Desenvolvimento Rural e Técnicas Agrícolas da Semagric, Herlan Lopes, a iniciativa busca agregar valor à proteína e fortalecer o manejo sustentável. "Queremos que esse produto tenha mais qualidade, identidade e valor" . O prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, também apontou a Indicação Geográfica como uma oportunidade de transformar o potencial da região em geração de renda para as comunidades .

Caso aprovada, a IG atestará que a qualidade e a identidade da carne de jacaré do Cuniã estão diretamente ligadas ao seu território de origem. A expectativa é que a certificação fortaleça a bioeconomia da região, abra novos mercados nacionais, estimule o turismo gastronômico em Rondônia e assegure que uma parcela maior dos recursos gerados permaneça na comunidade .

Natália Figueiredo - Portal SGC


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