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Exportações de Rondônia crescem 8,2% mas pauta ainda mostra concentração

Confira o editorial


Rondônia vendeu mais para o exterior em agosto, mas o dado que merece atenção não é apenas a alta de 8,2% nas exportações. O resultado mostra uma economia capaz de ampliar suas vendas externas, ao mesmo tempo em que expõe limites que precisam ser enfrentados. Houve superávit de US$ 23,9 milhões no mês, com US$ 253,5 milhões em exportações e US$ 229,6 milhões em importações. A leitura correta não cabe em uma celebração automática nem em uma visão pessimista.

Em comparação com agosto de 2025, o Estado aumentou em 8,2% o valor vendido ao exterior. Carne bovina, milho e café tiveram participação relevante na pauta mensal. O Egito apareceu como principal destino, com US$ 41 milhões, ou 16,2% das vendas. Rússia, Estados Unidos, Bélgica e Chile vieram na sequência. O resultado amplia o alcance das vendas externas.

Seria precipitado, porém, tratar agosto como retrato definitivo do comércio exterior de Rondônia. No acumulado de janeiro a agosto, soja e carne bovina responderam por 84,1% das exportações. A China liderou os destinos no período, com 23,3%. A concentração oferece escala, mas deixa o Estado exposto a preços, demanda internacional e custos logísticos.

Outro dado pede atenção: as importações cresceram 32% em agosto e chegaram a US$ 229,6 milhões. No acumulado do ano, o superávit chegou a US$ 617,9 milhões. Parte das importações registradas em Rondônia é escritural.

Empresas instaladas no Estado podem registrar a operação localmente enquanto a mercadoria é desembaraçada em portos de outras unidades da Federação. Isso exige cautela antes de associar o valor das compras externas à circulação física de mercadorias no território. O dado econômico é relevante, mas sua leitura precisa considerar essa particularidade do sistema tributário estadual e da operação interestadual registrada.

O desafio seguinte é transformar volume em maior valor econômico. Exportar mais é importante, mas vender produtos com maior processamento pode ampliar receitas, empregos. A dependência de poucas cadeias sugere espaço para diversificação. Café, milho e outros produtos podem ganhar mercado com logística, crédito, tecnologia, certificação e capacidade industrial.

Resultado de agosto merece atenção, não propaganda. Crescer 8,2% em um ano é um sinal positivo, mas não encerra a discussão sobre competitividade. O saldo comercial já é favorável, porém a pauta ainda é concentrada. Comércio exterior avançará quando vender mais significar também diversificar mercados, agregar valor e reduzir vulnerabilidades locais.

Diário da Amazônia

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