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Ficar no fim do ranking exige de porto velho um novo caminho

Confira o editorial


Quando uma capital termina na última posição de um ranking nacional, o dado exige atenção, mas também cuidado na interpretação. É assim que deve ser lido o resultado de Porto Velho no Índice de Progresso Social Brasil 2026. Com 58,59 pontos, a cidade ficou em 27º lugar entre as 27 capitais e 4,81 pontos abaixo da média brasileira, de 63,40.

A posição não pode ser descartada como simples detalhe estatístico. Ao mesmo tempo, um ranking não explica sozinho uma cidade. O IPS reúne indicadores sociais e ambientais e oferece um retrato sujeito às limitações dos dados e às mudanças metodológicas do relatório.

Palmas (TO) alcançou 68,91 pontos e ocupou a sétima posição nacional entre as capitais. Macapá, penúltima colocada, ficou à frente de Porto Velho. A comparação mostra que pertencer à mesma região não determina desempenho semelhante.

O cenário estadual também exige reflexão. Rondônia obteve 58,60 pontos e ficou em 23º lugar entre as 27 unidades da Federação. Os desafios da capital, portanto, não devem ser examinados isoladamente.

A utilidade de um levantamento como esse está menos na disputa por posições e mais na capacidade de indicar problemas. Transformar a última colocação em instrumento de confronto político seria tão improdutivo quanto ignorá-la. O caminho passa por identificar os fatores que contribuíram para o resultado e estabelecer prioridades.

Porto Velho precisa olhar para o ranking sem dramatização e sem complacência. A administração municipal tem responsabilidades diretas sobre parte das políticas que influenciam a qualidade de vida da população. Outras dependem do Estado e da União. Essa divisão não deve servir para transferir culpas, mas para orientar uma ação coordenada.

Também cabe aqui observar experiências de cidades brasileiras que alcançaram resultados melhores. Comparar políticas e prioridades pode oferecer referências úteis, desde que sejam respeitadas as diferenças de cada território.

O IPS Brasil 2026 não representa uma sentença definitiva sobre Porto Velho. É, porém, um alerta sustentado por números. Permanecer na última posição entre as capitais não deve ser tratado como destino. O desafio é transformar o diagnóstico em metas e resultados capazes de alterar esse retrato. Isso requer metas claras e correções de rumo quando as políticas não produzirem o efeito esperado e transparência.

No fim, rankings cumprem sua função quando provocam perguntas. A principal, no caso de Porto Velho, talvez seja simples: o que será feito, a partir desses dados, para que a próxima fotografia seja diferente?

Diário da Amazônia

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