A Justiça de São Paulo decretou a prisão do policial civil Rafael Juergen Schult, investigado por participação na abordagem de um jovem que foi agredido e colocado algemado no porta-malas de uma falsa viatura na Zona Leste da capital.
Schult, que trabalha no 78º Distrito Policial, nos Jardins, teria participado da ação acompanhado de outros homens. O veículo utilizado era um carro particular equipado com luzes semelhantes às de uma viatura policial.
Após a decisão judicial, equipes da Corregedoria da Polícia Civil cumpriram um mandado de busca e apreensão na casa do policial nesta sexta-feira (14), mas ele não foi encontrado. O carro usado na abordagem foi localizado durante as diligências.
Na residência dos pais de Schult, os agentes também encontraram dinheiro em espécie e cédulas falsas. Segundo a investigação, o material pode ter relação com a compra de drogas.
O irmão do policial, Gustavo Heinrich Schult, também é investigado, mas não teve nenhuma medida judicial decretada até o momento. Outro policial civil, Milton Massaru Nakayama, também aparece como investigado no caso.
Jovem foi colocado no porta-malas
Câmeras de segurança registraram a ação na noite de terça-feira (11), no bairro Artur Alvim. As imagens mostram um grupo de homens conversando em uma rua quando um rapaz de blusa azul foi surpreendido e agredido por dois deles.
Durante a briga, houve disparos. Pouco depois, um carro preto com luzes semelhantes a um giroflex chegou ao local. Um homem desceu do veículo e também participou das agressões.
Outros dois homens se aproximaram. Um deles carregava um fuzil e apresentava um objeto semelhante a um distintivo.
A vítima foi algemada e colocada no porta-malas do veículo, que deixou o local em seguida.
Quando policiais militares chegaram, encontraram manchas de sangue, estojos de munição calibre 5.56 e um celular. A polícia também fez buscas em hospitais da região, mas não encontrou nenhum homem baleado que pudesse ser relacionado à ocorrência.
Até a última atualização, o jovem levado na falsa viatura continuava desaparecido.
Polícia diz que não havia operação no local
A Polícia Civil informou que não havia nenhuma operação oficial programada para aquela região no momento da abordagem. Os homens também não acionaram apoio policial para preservar a área, como previsto nos procedimentos.
A Secretaria da Segurança Pública afirmou que investiga todas as circunstâncias do caso e trabalha para identificar os demais envolvidos, localizar a vítima e esclarecer o que ocorreu.
Segundo a pasta, a placa do carro utilizado na ação foi identificada, mas não consta nos registros oficiais como pertencente a uma viatura policial.
G1 São Paulo