O Serviço Secreto dos EUA afirma estar ciente de um vídeo exibido pela emissora estatal iraniana que aparenta ameaçar a vida de Barron Trump, o filho mais novo do presidente Donald Trump.
Meios de comunicação iranianos de linha-dura têm apresentado repetidamente conteúdos que ameaçam a vida do presidente Trump e de sua família após o assassinato de seu ex-líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, e de muitos de seus familiares no início da guerra entre EUA e Israel contra o Irã, em fevereiro.
Embora já tenham sido feitas ameaças anteriormente contra a primeira-dama Melania Trump, esta parece ser a primeira vez que o filho do casal, Barron, é mencionado publicamente como alvo.
"O Serviço Secreto dos EUA está ciente do vídeo e investiga qualquer coisa que possa ser interpretada como uma ameaça contra as pessoas sob nossa proteção", disse o porta-voz do Serviço Secreto, Nate Herring, em comunicado à CNN. "Por questões de segurança operacional, não discutimos assuntos relacionados à inteligência de proteção."
O vídeo, de quase três minutos de duração, começa com uma mensagem em inglês que diz: "Onde matar Barron Trump?!". Em seguida, apresenta gráficos estilizados mostrando locais onde se sabe publicamente que o jovem Trump costuma passar algum tempo, incluindo a Trump Tower, em Nova York.
Perto do final do vídeo, o narrador sugere que as pessoas estavam "ansiosamente esperando para receber nossa recompensa de US$ 10 milhões".
O vídeo foi transmitido durante o fim de semana pela emissora iraniana IRIB, um veículo de comunicação estatal considerado alinhado aos setores linha-dura do regime iraniano. O chefe da emissora é nomeado diretamente pelo líder supremo do Irã.
Uma fonte das forças federais de segurança disse à CNN que o vídeo faz parte de uma campanha de vídeos produzidos no Irã com o objetivo de atingir a família Trump e o próprio Trump. Alguns desses vídeos incluíram informações sobre a movimentação dos familiares do presidente e sugestões sobre como matar integrantes de sua família.
A fonte afirmou que as operações de proteção são constantemente transferidas e ajustadas com base em uma série de informações de segurança obtidas pelo Serviço Secreto, por outras agências, pela polícia e por outros países.
A CNN procurou a Casa Branca para obter um comentário.
O presidente Trump já falou publicamente sobre as ameaças iranianas contra sua vida. Em julho, ele declarou: "Estou em alguma lista... até agora, acho que tive um pouco de sorte, mas talvez isso não dure muito. Essas são pessoas más e doentes."
Ele fez o comentário durante a cúpula da Otan na Turquia, antes de deixar o país secretamente em uma aeronave militar alternativa. Trump embarcou na aeronave escondido dentro de um caminhão de serviço de alimentação, como parte de uma elaborada operação de despiste motivada por uma ameaça iraniana.
Uma pessoa familiarizada com o assunto disse à CNN que a ameaça envolvia um míssil lançado do ombro e era específica o suficiente para que as autoridades temessem que a vida de Trump estivesse em enorme risco caso ele viajasse em qualquer uma das versões do Air Force One.
O governo dos EUA alerta há muito tempo que o Irã pode tentar matar Trump, desde o ataque de drone ordenado por ele em 2020 que matou o importante general iraniano Qasem Soleimani.
Durante os eventos funerários, que duraram vários dias, em homenagem ao falecido Khamenei, em julho, apoiadores do regime foram vistos segurando cartazes com os dizeres "Mate Trump" e oferecendo uma recompensa a quem vingasse a morte de seu líder.
Manifestações antiamericanas, incluindo gritos de "Morte à América" e queimas de bandeiras, têm sido uma constante nos atos organizados pelo Estado no Irã desde que a Revolução Islâmica levou o regime teocrático ao poder, em 1979.
CNN Brasil