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Trump anuncia tarifa de 10% para o Brasil

Entre as medidas anunciadas nesta quarta-feira (2/4), está a taxação de 25% sobre os carros fabricados fora dos Estados Unidos


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Trump anuncia tarifa de 10% para o Brasil

Chip Somodevilla/Getty Images

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anuncia nesta quarta-feira (2/4) um pacote de tarifas sobre produtos importados, um "tarifaço global". A medida visa promover a produção doméstica e corrigir o que o governo norte-americano classifica como práticas comerciais desleais. O Brasil está entre os países afetados, com tarifa linear de 10%.

Entre as tarifas anunciadas pelo presidente dos EUA, a imposta para o Brasil é a mais baixa, junto com as também impostas para países como Reino Unido, Cingapura, Chile, Austrália e Turquia.

A primeira medida anunciada por Donald Trump foi a taxação de 25% em cima de automóveis de países europeus e asiáticos a partir desta quinta-feira (3/4). "A partir de meia-noite, nós vamos impor tarifa de 25% para todos os automóveis importados", disse o presidente.

Desde fevereiro, Trump sinaliza a adoção de novas tarifas sobre produtos estrangeiros, sem detalhar valores ou critérios. Na última semana, ele reforçou que a taxação será aplicada a todos os países, mas indicou a possibilidade de ajustes e negociações.

Tarifaço de Trump por países


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Donald Trump mencionou também produtos da União Europeia, Austrália, China, Japão e outros parceiros comerciais. Além dos automóveis, o presidente dos EUA também criticou a importação de carne australiana. O Brasil não foi citado pelo norte-americano.

A política tarifária faz parte das promessas de campanha do republicano e é chamada por ele de "Dia da Libertação", pois, segundo o presidente, ajudará os EUA a reduzir a dependência de importações.

As tarifas recíprocas, um dos principais pontos da medida, consistem na aplicação de taxas equivalentes às que os Estados Unidos enfrentam em outros mercados. O governo norte-americano argumenta que países que impõem barreiras ao comércio com os EUA serão submetidos a medidas semelhantes.

Tarifaço no Brasil

No Brasil, o tarifaço de Trump gera preocupação, principalmente, entre os setores de aço e alumínio, que já enfrentam tarifas desde março. Além disso, o etanol brasileiro já foi citado como exemplo de comércio desigual: enquanto os EUA cobram uma taxa de 2,5% sobre o etanol importado, o Brasil aplica uma tarifa de 18% sobre o produto norte-americano.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a decisão e afirmou que o Brasil recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC). Caso a contestação não tenha efeito, o governo avalia a imposição de tarifas sobre produtos norte-americanos.

No Congresso, senadores e deputados discutem a possibilidade de endurecer a política comercial contra os Estados Unidos. Nessa terça-feira (1º/4), o Senado aprovou o Projeto de Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao Brasil retaliar barreiras comerciais impostas por outros países. O texto seguirá para a Câmara dos Deputados, onde deve ser analisado com urgência.

A proposta atribui à Câmara de Comércio Exterior (Camex) a responsabilidade de avaliar respostas a medidas comerciais prejudiciais ao Brasil. Entre as possíveis retaliações, estão:

• Aplicação de taxas extras sobre bens e serviços dos países que impuserem barreiras comerciais ao Brasil;

• Suspensão de concessão de patentes ou remessa de royalties;

• Revisão de obrigações do Brasil em acordos comerciais internacionais.

O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), autor da proposta, destacou que a iniciativa visa proteger a economia nacional e evitar que o Brasil seja prejudicado por decisões unilaterais de outros países. "Não podemos aceitar passivamente essas barreiras comerciais. O Brasil precisa agir", afirmou.

Além das medidas legislativas, uma comitiva de diplomatas brasileiros foi enviada a Washington para tentar negociar alternativas com autoridades norte-americanas e buscar isenções para determinados setores. O governo brasileiro também estuda ampliar acordos comerciais com outros parceiros para reduzir a dependência das exportações para os EUA.

Outros países reagem ao tarifaço

As novas tarifas dos Estados Unidos geraram reações de diferentes países, que estudam contramedidas para proteger suas economias.

Canadá - O primeiro-ministro Mark Carney declarou que as medidas de Trump rompem a parceria entre os dois países e indicou que o Canadá poderá responder com suas próprias tarifas. "A antiga relação que tínhamos com os Estados Unidos, baseada na integração cada vez mais profunda de nossas economias e na estreita cooperação em segurança e militar, acabou", afirmou Carney.

México - A presidente Claudia Sheinbaum evitou falar em retaliação, mas afirmou que proteger empregos mexicanos é prioridade. "Não acreditamos em olho por olho, dente por dente. Isso sempre leva a uma situação ruim. O diálogo deve continuar. Não é uma questão de você me pôr e eu colocar em você, mas o que é melhor para o México e como lidar com essa situação", disse.

China - O governo chinês criticou as tarifas e alertou para impactos negativos no comércio global. O Ministério das Relações Exteriores chinês declarou que "não há vencedores em guerras comerciais".

União Europeia - A UE classificou o tarifaço de Trump como uma medida prejudicial ao comércio global e afirmou que responderá com contramedidas. A Comissão Europeia anunciou que, caso as tarifas sejam aplicadas integralmente, o bloco poderá retaliar com 26 bilhões de euros (cerca de US$ 28 bilhões ou R$ 160 bilhões) em impostos sobre produtos norte-americanos. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que as tarifas "desorganizam cadeias produtivas globais e podem gerar inflação e desemprego".

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