A 12 dias do segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL) retoma nesta terça-feira (13) as visitas ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com a expectativa de receber orientações para a reta final da disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo aliados, o reencontro após 90 dias deve renovar o ânimo do candidato e da militância.
O ex-presidente cumpre prisão domiciliar em Brasília após ser condenado a 27 anos e três meses de detenção pela trama golpista. Bolsonaro escolheu Flávio para concorrer ao Planalto em dezembro do ano passado, quando já cumpria pena na Superintendência da PF (Polícia Federal) na capital federal.
Este é o primeiro encontro entre os dois desde 11 de julho, quando Flávio leu uma carta com uma mensagem do pai. O episódio levou o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), a proibir as visitas do senador dois dias depois.
O reencontro ocorre após Flávio terminar o primeiro turno à frente de Lula e em um momento em que o presidente mobiliza a militância e amplia os atos nas ruas na tentativa de conseguir uma virada inédita.
A autorização de Moraes para a retomada das visitas mantém, porém, o veto a qualquer finalidade político-eleitoral e à divulgação de manifestos ou declarações de Bolsonaro, inclusive por terceiros, independentemente do meio utilizado.
Apesar dessas restrições, aliados esperam que o ex-presidente aconselhe o filho sobre os próximos passos da campanha, ainda que as orientações não sejam tornadas públicas.
Bolsonaro participou da definição das prioridades do PL para esta eleição, com ênfase na ampliação da bancada no Senado.
O partido elegeu 19 senadores e passará a ter 28 cadeiras na Casa. Na Câmara, conquistou 121 vagas, um aumento de 23 parlamentares para a próxima legislatura. A legenda também conseguiu eleger aliados em estados importantes.
"Estou ansioso, são mais de três meses sem poder vê-lo por uma decisão, obviamente, sem critério nenhum, sem nenhuma humanidade, nenhum amparo legal. Na minha avaliação, apenas com o intuito de tentar separar um líder político de quem está concorrendo à Presidência da República e separar o pai de um filho, o que eu acho que é o mais grave", disse Flávio em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (12).
E continuou: "Estou ansioso para dar um abraço forte nele, primeiro de tudo. Ver como está o rosto dele, como está o ânimo dele com tudo o que aconteceu, porque só estou sabendo por terceiras pessoas. Espero olhar no olho dele, dar um abraço e espero que ele esteja feliz."
Moraes autorizou a retomada dos encontros na segunda-feira, após o prazo da suspensão terminar no domingo (11). O ministro afirmou que não houve, durante esse período, acontecimentos que justificassem a prorrogação da medida.
Na carta que motivou a suspensão, Bolsonaro dizia que o momento era de "deixar as diferenças de lado".
"Escrevo em um momento de decisão para todos nós. O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro", diz um trecho do documento.
Na ocasião, Moraes concluiu que o senador havia sido usado como intermediário para divulgar a manifestação e desrespeitado a proibição de Bolsonaro utilizar redes sociais por meio de terceiros. A suspensão foi determinada por 90 dias.
Como está cadastrado no processo como advogado do pai, Flávio poderá visitá-lo diariamente, entre 8h20 e 18h, por até 30 minutos.
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